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18 de abril de 2011 08:39

A organização espantosa do genoma

Por Michelson Borges

Marcelo Leite, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, chama atenção para a espantosa organização dos cromossomos dentro do núcleo celular. Ele explica que “os genes se enfileiram nos cromossomos, quase sempre desenhados na forma de X ou Y, como bastonetes listrados unidos por uma espécie de cintura (os centrômeros). Mas essa é uma imagem enganosa, porque os cromossomos só assumem essa conformação durante uma curta fase da divisão celular. São poucos minutos, contra muitas horas em que os bastonetes desaparecem”. “Nesse período”, Leite prossegue, “os cromossomos ficam num estado menos compactado. A fita de DNA, que pode ter metros de comprimento se esticada, em lugar de se enrolar sucessivas vezes sobre si mesma para formar os bastonetes, fica ‘solta’ dentro do núcleo. Quer dizer, mais ou menos solta.”

Aí entra a organização: “Um determinado gene pode ficar inacessível para a célula se o trecho correspondente do cromossomo não se desenrolar, de modo que as letras que o compõem possam ser ‘lidas’. O rolo é controlado por um sistema de proteínas cuja mecânica não se encontra sob influência do DNA – é o que se chama de ‘epigenética’.”

Leite afirma que a distribuição dos cromossomos dentro da célula não é aleatória, mesmo na fase mais relaxada. O núcleo celular tem arquitetura [note a linguagem de design aqui], com recintos próprios para cada um deles. Os pesquisadores mapearam mais de 2 milhões de interações entre partes de cromossomos. O resultado foi publicado em maio no periódico científico Nature.

Numa reportagem na revista The Scientist, Cristina Luiggi entrevistou o biólogo Tom Misteli, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, sobre a importância de se visualizar a estrutura tridimensional do DNA dentro do núcleo. Ele respondeu: “É uma propriedade fundamental do genoma se organizar, dobrar-se de alguma maneira dentro do núcleo. Agora está ficando claro que há mais coisas no genoma que a sua sequência. Temos de descrever como o genoma se organiza, desvendar os mecanismos envolvidos na organização, e aí descobrir como a organização contribui para a função. Estamos ainda desenvolvendo as ferramentas para realmente enfrentar essas questões de modo sistemático.”

Você notou quantas vezes ocorrem no texto acima as palavras “organiza”, “organizar” e “organizado”? Para um darwinista, isso é contraditório, já que na natureza, segundo uma das leis da Termodinâmica, os sistemas tendem à desordem e não o contrário. Que história é essa de que é uma “propriedade fundamental do genoma se organizar”? Como essa propriedade simplesmente surgiu numa natureza caótica primordial? Como explicar essa capacidade genômica de armazenar informação de maneira ultracompacta? Os sistemas celulares são tão complexos que mesmo o ser humano dotado de grande inteligência e munido de equipamentos sofisticados e muito dinheiro ainda não conseguiu decifrar todos os seus mistérios. E querem que creiamos que o acaso cego fez surgir tudo isso… Não dá!

Michelson Borges  [www.criacionismo.com.br]

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